quarta-feira, 2 de abril de 2008

**Cenas de um casamento **

Tomados de paixão cega e surda, mas não muda, um dia dois pombinhos chegam à conclusão de que foram feitos um para o outro. E que é hora de dividir o mesmo teto. Como diz o ditado, a lua-de-mel não vai durar mais que um pacote de sal. Como se sabe, sal se usa um pouquinho por dia, e a doçu­ra dos primeiros dias logo vai ter sabor de pimenta malagueta. Um quilo de sal é a medida exata para descobrir que a prince­sinha tem humor de bruxa quando acorda. E que, esparramado no sofá depois do almoço de domingo, o príncipe bem que lem­bra um sapo.

Antes um ninho de amor, a casa logo parece pequena para dois. A começar pela cama. Ele dorme de pernas e bra­ços abertos. Ela, encolhida no espaço que sobra. Ele sonha com um ar condi­cionado. Ela tem os pés gelados. Quan­do faz frio, ele puxa o cobertor. Ela se enrosca nele. Ele diz que não consegue respirar. Ela quer discutir a relação. Ele vira do outro lado. E ronca.

De manhã trombam no banheiro. Os dois disputam o direito de usar o chu­veiro primeiro. Ela tem chiliques porque ele joga a toalha de banho no chão. Ele tem nojo de encontrar fios de cabelo no sabonete. Ela depila as pernas e estra­ga o aparelho de barbear dele. Ele de­tona o xampu predileto dela. Ela ocupa a pia inteira com potes de creme. Ele deixa a pasta de dentes aberta.

Ele lê jornal enquanto toma o café (ela gosta fraco; ele, forte). Ela afasta o jornal de cima do pão. Ele tampa o pote de margarina assim que ela retira a faca. Ela só compra queijo branco; ele prefere amarelo.

Ela esquece as luzes acesas. Ele apaga todas as luzes da casa. Ele gasta dinheiro com bobagens. Por mais sapatos que com­pre, ela nunca tem um que combina com o vestido.

Na direção, ele vira piloto de fórmula 1. Cola no carro da frente, acelera quando vê que o farol vai virar vermelho. Ela reclama do excesso de confiança dele. Ele responde que, se não confia nele, melhor dirigir ela mesma. Quando se perde, ele jamais admite perguntar o caminho. E, se a estrada acaba num riacho no meio da Mata Atlântica, ela cutuca: eu bem que avisei.

Ela gosta de novela. Ele também, mas jura que não. Prefere esporte. Não perde um jogo de futebol. Principalmente se for Copa do Mundo. Ela resmunga que ele assiste até partida entre Trinidad e Tobago. Ele diz que ela não entende nada: Trinidad e Tobago são um país só.

Ele nunca percebe quando ela corta o cabelo. Só lembra de elo­giar o vestido quando ela vai sair sozinha. Reclama se ela che­ga em casa mais tarde do que ele. Não importa que horas se­jam, ela sempre fecha a cara quando ele sai para tomar cerve­ja com os amigos.

Se vão ao cinema, ela prefere filmes de amor. Ele, de ação. Ela demora para se arrumar. Ele não gosta de chegar atrasado e faz plan­tão na porta do banheiro. Ela sai, mas volta porque esqueceu de pas­sar perfume.

Ela prepara um jantar romântico para comemorar o aniversário de casamento. Ele esquece a data e telefona avisando que vai chegar tarde do trabalho. É o fim da linha. Os dois decidem que, diante de tan­tas incompatibilidades, é impossí­vel continuar a viver juntos. Um faz a mala, outro concorda: é melhor assim.





A cama agora é grande demais. Ele sente falta daquele corpo ma­cio enroscado no dele. Aspira fun­do, buscando no ar o cheiro doce que só ela tem, mistura de pele, xampu, perfume e creme. Sorri, lembrando da indecisão dela diante do armário. Bobagem. Ela é linda de qualquer jeito. lembra a ternura que sente quando ela chora no meio de um filme. De como consegue dar conta dos problemas pequenos e grandes. Do seu ar interessado quando ele conta uma história.

Sozinha no silêncio da noite, ela sente frio. Encosta a cabeça no travesseiro dele, que tem cheiro de loção e pasta de dentes. Sorri, lembrando do seu jeito engraçado de se esparramar na cama. De como fica bonito quando sai do banho enrolado na toalha. Do seu modo desajeitado de demonstrar ciúme. Da tei­mosia em insistir que está certo mesmo diante do erro mais óbvio. Da segurança do seu abraço.

Viver a dois não é fácil. Sozinho, menos ainda.

Texto de Lucia Sauerbronn
http://luciasauer.blog.terra.com.br/


xxoxxo's

domingo, 30 de março de 2008

** Como escolher o homem ideal **


Para saber se é o homem ideal, basta compará-lo a um automóvel. Fazendo o Check-List abaixo, você encontrará a resposta.

1) Verifique o interior (não se iluda com o design).
2) Verifique o ano (quanto mais novo, mais chance de ter problemas)
3) É estável? Ou balança quando se depara com qualquer curva?
4) Possui os dois faróis rebaixados? (xi...)
5) Possui longa alavanca de câmbio?
6) Mais importante ainda: o câmbio tem boa durabilidade ou deforma-se com facilidade?
7) É movido a álcool? (neeeeemmmm pensar, minha amiga)
8) O motor mantém temperatura constante? Ou esquenta rapidinho, percorrepequena distância e morre logo em seguida?
9) Leve para um Test-Drive.
Se o homem passou em todos estes testes e te agrada, lembre-se: "Antes de comprá-lo alugue-o em uma locadora por um ou dois meses, pois, neste período, você pode surpreender-se e aí e só devolver..."
...rs...
Extraido do site http://www.she.com.br/


xxoxxo's